quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A importância de não ser importante e o atraso em Castilho-SP

“As 13 colônias do Norte tiveram; pode-se bem dizer; a dita da desgraça. Sua experiência histórica mostrou a tremenda importância de não nascer importante. Porque no norte da América não tinha ouro; nem prata; nem civilizações indígenas com densas concentrações de população já organizada para o trabalho; nem solos tropicais de fertilidade fabulosa na faixa costeira que os peregrinos ingleses colonizaram. A natureza tinha-se mostrado avara; e também a história: faltavam metais e mão-de-obra escrava para arrancar metais do ventre da terra. Foi uma sorte. No resto; desde Maryland até Nova Escócia; passando pela Nova Inglaterra; as colônias do Norte produziam; em virtude do clima e pelas características dos solos; exatamente o mesmo que a agricultura britânica; ou seja; não ofereciam à metrópole uma produção complementar. Muito dife­rente era a situação das Antilhas e das colônias ibé­ricas de terra firme. Das terras tropicais brotavam o açúcar; o algodão; o anil; a terebintina; uma pequena ilha do Caribe era mais importante para a Inglaterra; do ponto de vista econômico; do que as 13 colônias matrizes dos Estados Unidos.” (GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. p. 146.)

O texto acima é parte de um importante livro que, dentre outras coisas, faz um relato histórico de como se deu o processo de ocupação e desenvolvimento econômico no continente americano. Neste trabalho o autor busca evidenciar através das condições históricas e materiais os determinantes que fizeram com que alguns países se tornassem muito mais ricos e desenvolvidos que outros, vide o caso dos EUA e Canadá frente aos demais países do referido continente.
Assim, Galeano (1986) com sua teoria de “A importância de não ser importante”, mostra que muito do poder econômico atual dos americanos está relacionado às condições naturais encontradas pelos ingleses quando da colonização da América do Norte.
Logo, ao sul deste país encontrava-se um clima mais ameno típico de uma maior proximidade com os trópicos; solos férteis e concentração de minérios, tudo isto fez com que esta região exercesse o papel de exportador de matéria prima para as indústrias da Inglaterra. Ali se desenvolveu a concentração de terras, o trabalho escravo e atividades agrícolas de monocultura como as plantações de cana-de-açúcar, algodão, milho, exploração de minérios, etc.
Já no norte o fato de não terem encontrado riquezas naturais que pudessem ser exploradas de imediato, propiciou o desinteresse dos ingleses em explorar aquela região, adotando uma política apenas de ocupação territorial. Para isso os ingleses incentivaram a colonização através da distribuição de terras. Não houve a formação de latifúndio, desenvolveu-se ali a agricultura familiar, a produção diversificada e o trabalho assalariado, o que estimulou o consumo interno. Tudo isto trouxe o comércio e o desenvolvimento de indústrias locais.
Mais tarde, o país ficaria dividido entre um Sul dominado por uma oligarquia fundiária exploradora de renda da terra e escravocrata e de outro lado um Norte industrial tipicamente capitalista, dominado pela burguesia. Os interesses em ampliar o mercado consumidor e a oferta de matéria prima levariam a burguesia do norte a promover uma guerra interna pelo fim do latifúndio e do trabalho escravo.
O processo de colonização do Brasil se assemelha com o que houve no Sul dos EUA. Os portugueses encontraram aqui farta riquezas naturais que foram exploradas conforme os interesses da Coroa. Uma exploração ao modelo da implantada na região sul do território americano, com concentração de terras, exploração de trabalho escravo e pouca diversidade produtiva, cujo objetivo principal era o de apenas fornecer especiarias como madeira, café, açúcar, ouro, dentre outros, para o comércio e as indústrias da Europa, sendo que na maior parte do tempo esta produção não teve a função de estimular o desenvolvimento da indústria local.
Desta forma, Galeano (1986) vai contrapor às especulações e teorias deterministas que viam o atraso econômico de alguns países como algo inerente à raça ou a cultura de cada povo. Argumentos comuns ainda nos dias de hoje, como, por exemplo, o de que se o Brasil é atrasado em relação a outros países isto se deve ao fato de sermos um povo “ignorante e de cultura oportunista”.
Esta é uma realidade que pode muito bem ser aplicada a Castilho-SP, onde também se desenvolveu o atraso promovido pelo latifúndio, com concentração de terras, monocultura e exploração de renda (uma das principais formas deste tipo de exploração nesta região é o aluguel para uso da terra ou simplesmente a especulação, ou seja, cerca-se uma área e aguarda-se o melhor momento para vendê-la).
As oportunidades no campo ficaram restritas e o êxodo rural fez com que a sobrevivência de uma população inteira dependesse dos poucos detentores de terras. Foi desta forma que alguns destes ganharam status de herói pioneiro, e que como mostra a historia recente castilhense, tantos outros se promoveram politicamente oferecendo empregos de capataz ou de bóia fria aos famintos sem oportunidades.
Portanto, a realidade política deste município, onde muitos buscam amparo no poder público para a situação de pouco emprego e precarização do trabalho em indústrias da região se devem, em grande medida, a todo este processo de acumulo de terras, o que fez produzir considerado exército de reserva de mão-de-obra.
As riquezas naturais que eram pra ser um instrumento de desenvolvimento acabaram por ser objeto de escravização e de atraso para a grande maioria. Trata-se de uma conjuntura que deve ser vista como o resultado da luta de classes.
O apoio à reforma agrária, o incentivo à produção diversificada, além da luta por melhores condições de trabalho em indústrias de Castilho e região, são caminhos a diminuir a dependência ao poder público e a amenizar o poder do atraso.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Castilho-SP e as limitações da atual democracia

Artigo publicado em18/12/2012 no blog 'Opositores'. http://osopositores.blogspot.com.br/2012/12/castilho-sp-e-as-limitacoes-da-atual.html 
 
A poucos dias do fim do ano cresce a expectativa no mundo político dos milhares de municípios do Brasil em torno dos novos eleitos e em Castilho isso não é diferente. Neste sentido, a intenção é avaliar neste texto alguns aspectos da política local dos últimos anos, mas não meramente sob uma perspectiva administrativa e burocrática, mas sim numa visão político-histórica de luta de classes.
É fato que Castilho teve nestes quatro anos que se passaram um dos mais polêmicos e impopulares governos da história deste município. Privatização da água, constantes mudanças de comando de importantes cargos públicos, inúmeras denuncias de corrupção, acusação de demissão de cargos comissionados da educação por não apoiarem o prefeito e candidato à reeleição, terceirizações de serviços públicos, reforma de hospital particular e não construção de um novo como prometido, denuncias de mandos e desmandos da primeira dama, criação de inúmeros cargos de comissão, etc; foram apenas alguns dos fatos ocorridos neste período que no mínimo causaram muita polemica.
Nada disso é novo e nem exclusividade da atual administração, a tudo isto pode-se somar, por exemplo, a construção de um portal de entrada da cidade, ou a reforma da principal praça em detrimento da oferta de mais casas populares e de melhor serviço de saúde para a população. O que dizer então do investimento público na construção de uma usina de álcool a toque de caixa ou ainda de uma fecularia, ambas terceirizadas?
O que estas ações governamentais têm em comum é seu caráter autoritário, são ordens que vem de cima para baixo, executadas a partir da decisão de uma pessoa ou de um pequeno grupo de pessoas que rondam o poder e procuram, acima de tudo, atender os interesses de gente economicamente bastante influente no meio político do municipio, como: empreiteiros, empresários prestadores de serviços públicos, fornecedores de material escolar, de construção, dentre outros.  Além disso, a história de Castilho tem vários exemplos de desiquilibrados que chegam ao poder e passam a tomar decisões conforme a vaidade manda, fazendo da população refém de um destemperamento.
Tudo isto só mostra como o atual regime é concentrador de poder. A participação popular nas decisões do município se restringem, na maioria das vezes, apenas ao voto dado de quatro em quatro anos, é nisto que consiste o atual regime democrático e que infelizmente é constantemente manipulado pelo dinheiro ou por favores a uma população bastante carente.
Não se trata de menosprezar a dura conquista do direito ao voto. A democracia, mesmo aos moldes da burguesia, ou seja, ganha quem tem mais poder financeiro, é ainda assim um grande avanço frente à ditadura desta mesma classe. A experiência brasileira do período considerado como anos de chumbo (1964-1985) é prova disso.
As relações de poder na atualidade são mais favoráveis à classe dominante, uma situação que só pode ser mudada com base em profundas transformações, só possíveis em escala nacional e que vão muito além do território castilhense, trata-se de mudanças que envolvem a tomada de poder pela classe dos explorados, de forma a promover uma revolução na lógica de funcionamento do Estado.
Esta é uma tarefa grande, talvez distante, enquanto isso a população de Castilho deve reivindicar maior participação nas decisões do município, e pensar em formas de organização popular, seja movimentos ou um partido cujo programa esteja realmente a serviço da maioria e que exija e promova a participação popular no poder municipal.

sábado, 18 de agosto de 2012

Mais uma tentativa de Privatizar a Fecularia está lançada

Imagem aérea da Fecularia de Castilho-SP

A Prefeitura Municipal de Castilho-SP publicou no jornal 'O Liberal' deste sábado, (18/08/2012) edital de abertura de processo licitatório que objetiva, nos seguintes termos: "a concessão de uso administrativo da unidade industrial de fécula de mandioca e derivados, com capacidade de moagem de 200 (duzentos) toneladas/dia, instalado num área de terras rurais, com 10 alqueires na medida paulista". 
Trata-se da Fecularia municipal, construída nos anos de 1990 com recursos próprios da Prefeitura, cuja intenção era apoiar a agricultura familiar camponesa em Castilho. 
Consta ainda neste edital de abertura de licitação para concessão deste bem público que o vencedor deste processo licitatório terá o privilégio de explorar este empreendimento por nada mais nada menos que 30 anos.
É mais uma ação governamental que faz parte de uma politica que há anos vem dominando a administração pública em Castilho, qual seja a terceirização de serviços de responsabilidade da prefeitura e a entrega do patrimonio público a empresários capitalistas.
Mas, desta vez o que impressiona é que este novo processo de privatização esteja sendo feito em plena campanha eleitoral, o que, ao menos deveria ao menos causar alguma polêmica sobre o assunto, tendo em vista estarmos em um período propicio ao debate.

 
Ideologia neoliberal domina a política castilhense
A Fecularia é uma indústria que desde a sua inauguração teve suas atividades controladas por empresários particulares, ou seja, a prefeitura fez alto investimento e entregou a terceiros a responsabilidade de administrar esta indústria.
Este é um dado que muito provavelmente tenha influenciado para que as atividades desta Fecularia não tenha saído como o planejado, tendo em vista que não houve por parte dos produtores de pequenas unidades o esperado interesse pela produção de mandioca voltada a esta indústria.
Isto pode ser analisado da seguinte forma. A partir do momento que a administração desta indústria foi repassada à iniciativa privada, comprometeu a lógica de funcionamento desta atividade, deixando de ser instrumento de incentivo aos agricultores camponeses e passando a ser uma ferramenta a possibilitar a exploração de um excedente, ou seja, passou a priorizar a busca de lucro privado.
Ao transmitir a responsabilidade das atividades deste empreendimento a empresários particulares, parte da renda contida na produção da mandioca não será distribuída entre os camponeses produtores deste alimento, mas deverá ir para o bolso do empresário que administra esta indústria.
Isto pode ser feito através de mecanismos de desvalorização da produção de mandioca em sua forma primária (in-natura), ou seja, quando o indústrial paga aos produtres de mandioca baixos preços pelo produto.
No entanto, o potencial financeiro, ou melhor, a renda contida neste produto se revela a partir do momento em que é revendida ao mercado consumidor. Quando esta matéria prima sofre algum tipo de beneficiamento este potencial tende a se multiplicar. No caso da Fecularia isto é feito com a transformação da mandioca em fécula, ou seja, é incorporado neste produto, em sua forma natural, um valor a mais após o processo de manufaturação.
Se a Fecularia fosse posta a serviço dos camponeses castilhenses este valor que foi agregado no momento em que a mandioca foi beneficiada deveria ser distribuída a quem realmente trabalhou na produção deste alimento. Do contrário, como está sendo proposto e como funcionou até aqui, a tendencia de quem for administrar esta indústria é buscar desvalorizar ao máximo o produto 'Mandioca' em sua forma in-natura,  ou seja, a tendencia é que se page pouco ao agricultor pelo seu produto ao mesmo tempo em que a mesma mandioca, agora manufaturada, irá ser revendida ao máximo valor que a sociedade estará disposta a pagar. Em outras palavras o filé ficará com o empresário e o osso com o produtor rural. 
Assim, acredita-se que o ideal era a própria prefeitura tocar a administração desta Fecularia, sendo realmente voltada aos interesses dos agricultores de Castilho. Não se trata de nada impossível e inimaginável, pois assim como estão propondo a criação de uma autarquia para administrar o serviço de água e esgoto do municipio, por que não uma empresa nos mesmos moldes para tocar a Fecularia?
O poder público deve ter as rédeas do desenvolvimento social e economico em suas mãos, é o onus do Estado e é isso que deveriam assumir quem deseja defender nesta campanha eleitoral os interesses da maior parte da comunidade castilhense.
Aos candidatos neo-liberais de plantão, que não acreditam no poder público e que pensam que tudo deve ser tercerizado,  propoem-se que no MÍNIMO a Fecularia seja destinada a uma associação de agricultores de Castilho.
A entrega da Fecularia e a falta de um debate sobre o melhor a se fazer com este empreendimento público  mostra um certo comodismo da classe política local e até mesmo de representantes de movimentos sociais, mas mais do que isso revela que a politica castilhense está tomada pela ideologia neoliberal que entende que o Estado deve ser apenas um estimulador da economia. 
Nesta forma de pensamento cabe à união, aos estados e aos municípios os investimentos em infraestrutura e na criação de fabricas e indústrias e quando tudo está pronto isto deve ser repassado a terceiros utilizarem este capital criado por meio da exploração da população que paga seus impostos. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A milionária campanha eleitoral.

Eleições 2012
Em uma de suas edições do mês passado (julho de 2012), o jornal 'A Voz do Povo' traz a previsão de gastos de campanha que os candidatos a prefeito deste ano em Castilho-SP declararam ao Tribunal Superior Eleitoral - TSE.
Trata-se de uma previsão, onde tais gastos de campanha podem ser menores do que o declarado, por outro lado é bom destacar que nas campanhas eleitorais no Brasil é bastante dificil o controle sob  estes valores, dos quais são comumente ultrapassados.
A matéria deste jornal informa que juntos os três candidatos preveem gastos que ultrapassam o um milhão de reais, sendo que Dr. Antonio, Joni e Fatima declararam respectivamente gastos de 800, 500 e 400 mil reais. O jornal destaca o fato de que são gastos que superam em muito o próprio patrimonio que tais candidatos  declararam (repete-se: DECLARARAM) ter.
Desta forma, há de se perguntar: Qual seria o interesse de alguém em gastar em uma campanha eleitoral uma quantia em dinheiro que o próprio salário de prefeito em quatro anos está longe de compensar?
Logicamente deve-se analisar também que estamos diante de uma campanha eleitoral que nem de longe é financiada isoladamente pelo bolso dos candidatos.

Quem financia as campanhas eleitorais em Castilho-SP?
É fato que os candidatos a prefeito em Castilho gozam de prestígio junto a muitos correlegionários, cujos interesses (nobres ou não) os levam a contribuir financeiramente com os gastos de campanha do candidato de sua preferência. Pessoas simples, gente de classe média, trabalhadores comuns, são alguns que figuram como simpatizantes de cada prefeitável, e que em uma eventual vitória possivelmente terão sua parte no bolo.
No entanto, há de se destacar que estes dificilmente conseguirão financiar os altissimos valores de gastos declarados junto ao TSE.
Mas, afinal, quem financia estas campanhas?
A experiência dos últimos anos nos dá algumas dicas. Micro empresários, donos de depósitos, de postos de gasolina, de supermercados, além, é claro, de empresas construtoras, empresas fornecedoras de material escolar e de transportes, das quais estão sempre ganhando as licitações em Castilho-SP são, por força da história que eles mesmos construiram nos ultimos anos neste munícipio, os maiores suspeitos de bancarem esta milionária campanha para prefeito.
Entretanto, esta é uma conta que no final da história quem paga é a população, a partir do momento que a Prefeitura passa a beneficiar estes mesmos financiadores de campanha por meio das inúmeras terceirizações de serviços e a distribuição de cargos de confiança em funções estratégicas.
A esperança de mudanças nos próximos anos não deve ser motivo de ilusão, assim, é preciso se manter atento com o que virá. Ao que parece as mudanças ficarão apenas em grau, ou seja, do tamanho do bolo que os parasitas dos cofres públicos continuarão a morder e que, muito provavelmente, estarão presentes no governo de qualquer uma das três opções.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Animais silvestres cada vez mais confinados

Acima, Jaguatirica fotografada na vila dos operadores em Castilho-SP
Araras fotogradas no centro da cidade

No início deste mês de abril foi noticiado em vários sites informativos do país que havia sido encontrada na vila dos operadores em Castilho-SP um casal de Jaguatirica, sendo que uma delas fugiu e a outra acabou sendo capturada pela policia ambiental e levada para o zoologico de Ilha Solteira.
Este fato não é novo e tem se repetido constantemente, animais silvestres andando perdidamente por estradas, condominios e cidades tem aumentado bastante nos últimos tempos.
Um fato sintomático de que algo vem piorando na vida destes animais é o volume de maritacas, araras e tucanos que estão vindo para a cidade, aves antes quase que restrita ao campo.
Apesar da beleza é algo preocupante, por que afinal estes animais tem procurado sobreviver no urbano?
Com toda certeza isto está diretamente relacionado ao fato de áreas de reservas serem cada vez menores, o que tem confinado estes animais a pequenas porções de matas que ainda restam.
Com relação às aves, coincidencia ou não, passaram a ser vistas com maior frequência nas cidades da região depois da chegada das industrias canavieiras e de eucalipto em Tres Lagoas-MS.
A suspeita se justifica, visto que, diferente da pecuária que ainda permite a sobra de algumas árvores e a locomoção de animais por entre os pastos, no caso do eucalipto e principalmente  da cana de açúcar dificilmente se avista em meio a este tipo de plantação alguma espécie nativa de vegetação, além disso, são poucos os animais que conseguem se locomover por entre este tipo de monocultura e quando muito são esmagados pelas máquinas colheitadeiras.

Situação tende a piorar.
Esta é uma situação que tende a piorar, tendo em vista a iminente aprovação do novo código florestal que praticamente elimina áreas de preservação permanente e diminui sensivelmente as reservas legais.
Visto que ainda no antigo código florestal as regras ambientais eram invariavelmente desrespeitadas, não há duvidas que na sanha por maiores lucros o capital canavieiro e de papel e celulose irão seguir ao pé da letra o novo código e arrasar com o pouco que ainda resta de diversidade vegetal e animal na região. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O sucateamento da frota castilhense

Na sessão desta segunda-feira (9 de abril de 2012) o vereador José Borges denunciou em tribuna o total descaso ou nas palavras dele "uma baderna" com a frota de máquinas e caminhoes da Prefeitura de Castilho.
Informou o vereador que hoje a Prefeitura está com várias máquinas e caminhões quebrados em oficinas da região, problemas mecanicos que há muito tempo não é resolvido. O vereador contestou o trabalho dos assessores do Prefeito que não tem a competencia devida para resolver estas questões.
Apesar de Castilho ter uma prefeitua rica os casos de terceirizações dos serviços por conta do sucateamento da frota do município é grande.
Está claro que a politica governamental dos últimos anos em Castiho tem sido no sentido de sucatear os serviços públicos para justificar a contratação de empresas terceirizadas, um processo que culminou na privatização do serviço de água e esgoto.
O que está por trás disto é, em grande medida, a política do "é dando que se recebe", onde empresários parasitas financiam em época de eleição os candidatos que os favorecem ou que podem vir a favorecer quando chegarem ao poder.
Com isto quem mais perde é a população que tem recebido serviços de péssima qualidade, como o proprio vereador José Borges denunciou o caso de pontes na zona rural que foram muito mal construídas por empresas terceirizadas por conta de uma suposta falta de estrutura da Prefeitura.
Não basta denunciar isto em tribuna, um vereador que realmente tivesse comprometido com a qualidade do serviço público de Castilho deveria investigar quem são os verdadeiros beneficiados com tantas terceirizações e denunciar para a população o que realmente tem acontecido.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Câmara abre vaga de 9 mil reais em salário por 20 horas semanais trabalhadas

É fato que a maioria dos funcionário públicos de Castilho-SP encontra-se com os valores de seus salários totalmente defasados, tanto que as reivindicações por melhorias nos rendimentos têm sido constante.
Mas, o que tem chamado a atenção é a capacidade da Câmara Municipal em oferecer cargos com salários muito mais altos do que os praticados pela Prefeitura.
Recentemente a prefeitura abriu concurso para diversos cargos, entre eles os de médico clínico geral, médico do trabalho, médico ginecologista, cargos com alto grau de necessidade social, cuja função é cuidar e salvar vidas. No edital aberto para o provimento destas vagas de médicos consta um salário de pouco mais de 4 mil reais, por 20 horas semanais trabalhadas.
Para a maioria dos trabalhadores que está acostumada a ganhar bem menos do que este valor, este salário de médico não é algo despreszível.

Contudo, se compararmos com os valores salariais praticados pela Câmara Municipal, talvez isto leve os médicos em Castilho a mudar de profissão.
No ano passado o legislativo castilhense abriu concurso para diversos cargos, entre eles: Assessor de Bancada Partidária = salário, R$ 3.731,40 / Secretário Administrativo = salário R$ 3.731,40 / Assessor Técnico Legislativo R$ 6.260,47, dentre outros.
Mas dessa vez a Câmara se superou, está oferecendo uma vaga para o cargo de Assessor Jurídico com salário de R$ 9.265,60 tudo isto por 20 horas semanais trabalhadas, um salário de dar inveja em muito médico, engenheiro, professor, dentista e até mesmo prefeito pelo Brasil afora. Um salário digno para cargos de alto escalão do serviço público brasileiro. Cabe agora à Câmara Municipal explicar para a comunidade castilhense qual a importãncia deste cargo para merecer um salário tão alto, além disso deve-se debater se esta é uma função que deveria ser realmente ocupada por cargo efetivo.

Pois, sendo este um cargo efetivo poderiamos estar correndo o risco de um profissional que ocupe este posto boicotar o trabalho jurídico da Câmara ao longo dos anos por não ir com a cara de algum vereador??

Não deveria ter esta função um caráter de cargo de confiança do presidente da Câmara??

Discussões que parece não terem passado na pauta destes vereadores.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Até a pintura de sinalizações estão sendo terceirizadas



Na sessão ordinária desta segunda-feira (13 de fevereiro) o vereador Albecyr denunciou em tribuna o fato de a prefeitura ter terceirizado até mesmo o serviço de pintura de sinais de trânsito na cidade.

Na ocasião o vereador questionou também o fato de o município possuir mais de 700 funcionários efetivos, sendo que possui neste quadro de trabalhadores pessoas competentes para executar este tipo de serviço.

Faltou apenas questionar quanto a terceirização da pintura das ruas da cidade têm custado aos cofres da prefeitura.

Já o vereador Nelson Pereira criticou a desorganização que se encontra o serviço público em Castilho, onde mesmo tendo um número considerado de funcionários não consegue executar tarefas simples.



O sucateamento do serviço público é algo proposital.

Conforme denunciado anteriormente neste blog, Castilho vem assistindo cada vez mais o sucateamento de seu serviço público, um processo que se arrasta desde a administração passada, onde de fato começou o processo de terceirizações como as de obras, transportes etc.

Se pensarmos que em um passado não muito distante a prefeitura deste município foi capaz de asfaltar e recapear as ruas da cidade com equipamentos próprios, chega a ser inacreditável que hoje não consiga sequer sinalizar o asfalto utilizando sua própria estrutura.

Diante esta situação quem mais tem se beneficiado com estas terceirizações não é a população e sim as empresas contratadas que geralmente cobram dos órgãos públicos valores que lhes permitam certa lucratividade, afinal sendo um empresa capitalista não faria qualquer trabalho à sociedade sem visar lucro. Ou seja, estes serviços terceirizados podem muito bem estar saindo muito mais caro do que se fosse feito pela própria prefeitura.
Assim, serviços inteiramente acessiveis à prefeitura são repassados, sabe-se lá a que custo, para empresários parasitas que aproveitam a oportunidade para se beneficiar com a situação. Logicamente, que em uma democracia fajuta como a brasileira os beneficiados com estas terceirizações em Castilho vão tentar continuar a exercer sua influência no poder público financiando a campanha eleitoral da classe política local, ou seja, é dando que se recebe.
Logo, só a pressão popular poderá por fim a esta situação, visto que eleitoralmente o jogo é praticamente de cartas marcadas onde ganha aquele que, com maiores recursos vindos de empresários parasitas, consegue manipular as pessoas.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A pseudo política de apoio ao esporte em Castilho





No final do ano passado (2011) o governo municipal, por meio de seus assessores do setor de esporte, anunciou com estardalhaço a construção de um novo espaço para a prática do futebol em Castilho e que deveria ser implantado no antigo centro de eventos da cidade, ao lado do estádio municipal.


Passados quase dois meses do novo ano o que se vê no local é apenas terra (conforme foto acima), indicando, mais uma vez, que a politica de apoio ao esporte em Castilho continua abandonada como há anos o vêm sendo.


O único destaque do cenário esportivo em Castilho tem sido o handebol, muito disto devido ao trabalho heróico do instrutor e do esforço de praticantes deste esporte, dos quais através de muita luta e dedicação conquistaram algum apoio do governo municipal.


No entanto, modalidades em que Castilho se destacava no passado como o vôlei, basquete sobrevivem graças a vontade de atletas apaixonados pelo esporte, mas, no caso da natação e do atletismo desapareceram totalmente. O ex-prefeito com suas obras na piscina pública e no estádio municipal impossibilitou a prática destas duas modalidades. Detalhe: o ex-mandatário é professor de Educação Física.





70 milhões do orçamento em 2012. Quanto disso será destinado ao jovem?

Só no ano passado foram mortos 5 jovens envolvidos com drogas e guerra de gangs sem dizer os diversos casos de troca de tiros, roubos e indiciamento por uso de entorpecentes. Tudo isto indica que situação da juventude castilhense é grave, por isso entende-se que uma importante forma de ao menos amenizar este problema é o incentivo ao esporte e a cultura como formas de orientação a jovens e adolescentes.


Apesar do prefeito insistir em dizer que dá amplo apoio ao esporte, a realidade é que o jovem castilhense se encontra bastante desmotivado a participar do que é oferecido. Isto porque o que existe não é algo sério, é na verdade uma política esportiva capenga, onde o jovem não pode de fato desenvolver verdadeiramente suas aptidões.


Prova disto é que as poucas modalidades esportivas são praticadas em apenas um ginásio de esportes, impossibilitando uma sequência semanal de treinos que realmente permita o desenvolvimento do atleta, além disso falta material esportivo, incentivo à participação em competições fora da cidade, dentre outros problemas.


Muito disto se deve ao fato de o setor de esportes, por exemplo, nao ter autonomia financeira, isso em um município com uma arrecadação que gira em torno de 70 milhões de reais. Aliás, quanto disto foi usado no esporte e na cultura no ano passado??


Uma alternativa seria a criação de uma secretaria de esporte e cultura onde uma lei municipal determinasse que 'X' porcento do orçamento anual do município tivesse que ser empregado nestas atividades. Se 1% porcento do que arrecada Castilho fosse destinado a apoiar o esporte e a cultura muita coisa poderia ser feita, afinal, estariamos diante de um orçamento de 700 mil reais.


É fato que esta secretaria precisaria de profissionais competentes no comando e que tivessem compromisso social, isto para não acontecer como em um passado recente, onde se gastou uma fortuna com um time de futebol de salão de atletas de fora de Castilho, sendo que alguns deles estiveram envolvidos com drogas, ou seja, um péssimo exemplo para a já carente de boas referencias, juventude castilhense.
Tudo isto é uma alternativa que para ser posta em prática a juventude de Castilho e a sociedade vai ter de cobrar das autoridades sua efetivação.





terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O preço do monopólio




foto montagen



Ônibus lotados, constatemente atrasados, quentes, desconfortáveis, com poucos horários disponíveis, máquinas de cobranças ineficazes, etc.

Esta é a rotina de quem utiliza o transporte público em Castilho-SP. Uma situação imposta pela única empresa que presta este tipo de serviço no município, pois, simplesmente exerce, com a conivência das autoridades da região, o monopólio do transporte de passageiros. Trata-se da empresa monopolista, Reunidas Paulista.

Quem precisa se locomover a outros municípios da região para trabalhar ou estudar tem de enfrentar os péssimos serviços desta empresa de transporte coletivo, o que só aumenta ainda mais o cansaço depois de um dia inteiro de atividades.

O desrespeito para com a população é grande e na ânsia por maiores lucros a Reunidas Paulista insiste com um sistema de cobrança de passagens com cartões que se mostra totalmente ineficaz, tudo para não ter de contratar um cobrador, ficando a cargo do motorista a dupla função de dirigir e cobrar passagens. O que mostra que a pessoa que se propõe a trabalhar nesta empresa tem de ter muita paciência para não se estressar com suas duplas funções e com o enorme volume de reclamações que é obrigado a ouvir diariamente.

Além disso, a Reunidas tem abandonado os ônibus coletivos refrigerados, mesmo estando em uma região de altas temperaturas, o que lhe confere economia no combustível, mesmo que pequena.

Seus constantes atrasos e os poucos horários de ônibus disponíveis, têm levado as pessoas que utilizam de seus serviços a um clima cada vez maior de revolta, tanto que já houve mobilizações expontâneas de trabalhadores castilhenses em Três Lagoas-MS que simplesmente impediram a saída de um dos ônibus da empresa enquanto não disponibilizassem um outro veículo e assim, não terem de esperar mais de uma hora pelo próximo veículo.


Quebra do monopólio, já!

Sabendo ter o monopólio no tranporte de passageiros suburbano, a Reunidas pouco se importa com a qualidade dos serviços prestados, pois a população se encontra totalmente refém desta empresa que não vê à sua frente qualquer concorrência.

A única forma de reverter esta situação é a quebra deste monopólio em Castilho e região liberando os serviços a outras empresas e também ao chamado transporte clandestino, que presta serviços de grande utilidade nas grandes cidades.

Mas, como se sabe, isso dificilmente partirá das autoridades constituídas, o que força a mobilização organizada da população em obrigar a quebra do privilégio desta empresa.

domingo, 2 de outubro de 2011

Previsão de demissão em massa na Virálcool.

Está previsto para o início deste mês, (outubro 2011) o fim de mais uma safra da usina de açúcar e álcool, Virálcool. Para este ano, esta e outras usinas da região de Castilho terão o fim de seus trabalhos antecipados devido às longas estiagens dos dois últimos anos, o que tem reduzido a produção de cana-de-açúcar.
Segundo muitos trabalhadores deste setor, tanto na usina Virálcool como em outras da região tem-se a expectativa que nesta temporada o recesso seja maior que nos outros anos, podendo chegar de seis a oito meses de inatividade. A Virálccol, por exemplo, prevê retomar seus trabalhos apenas no mês de Junho de 2012.
Dessa forma, a promessa é que a grande maioria dos trabalhadores compostas pelos chamados safristas percam seus empregos e que tenham que permanecer desempregados por todo este período de inatividade destas empresas.
Além disso, por conta do longo recesso, espera-se também que até mesmo muitos daqueles que são efetivados em seus cargos e que há anos vem se dedicando em seus trabalhos percam seus empregos neste ano.

Onde foi parar toda a riqueza criada?
O setor de açúcar e álcool é um dos que mais tem lucrado hoje no Brasil, muito disto devido a grande expansão do mercado interno e também do mercado internacional verificada nos últimos anos.Consta no site da empresa Virálcool que:
"Na safra 2010-2011, a indústria deverá moer 2,5 milhões de toneladas de cana para produção de 95 milhões de litros de álcool, 2 mil toneladas de levedura e 3,5 milhões de sacas de açúcar, visando a exportação. Essa produção será destinada em sua grande maioria ao atendimento do mercado externo, via porto de Santos, sendo os produtos transportados por caminhões até o embarque."***
Consta ainda no mesmo endereço eletrônico que neste ano de 2011 a saca de açúcar chegou a ser negociada a um valor de 67 reais cada uma.
Sendo assim, se cada litro de álcool foi vendido a 1 (um) real esta empresa deve ter ganho apenas com a venda do álcool algo em torno de quase 100 milhoes de reais. E no caso do açúcar a 67 reais a saca esta empresa deve ter recebido com a venda deste produto algo em torno de 200 milhões de reais.
Sabe-se que a Virálcool emprega na sua unidade em Castilho por volta de 1.ooo (mil) funcionários. Supondo que cada trabalhador receba por mês um salário de 2.ooo (dois mil) reais (o que é raro), a empresa teria uma média de gastos com salários de 2 milhões de reais mensais e ao ano aproximadamente um gasto de 24 milhões de reais.
Logicamente que, no quesito despesas deve entrar também os gastos com maquinários e arrendamento de terras, mas diante deste simples cálculo pode-se verificar grande diferença entre as despesas com salários e o faturamento com a venda dos produtos fabricados nesta indústria o que leva a supor um volume de lucratividade enorme que é apropriado pelos patrões desta empresa.
Mesmo diante de tamanha potencialidade de ganhos os patrões do setor sucro-alcooleiro não cogitam qualquer perda e jogam nos ombros de seus funcionários o peso da diminuição de seus lucros (o que não é prejuízo).
Sabe-se que, os trabalhos em uma usina de açúcar e álcool exige, em sua maioria, grande esforço físico que nem sempre é compensado pelos baixos salários, além disso, estes trabalhadores têm trabalhado sob pesada carga horária como a do regime de cinco dias por um de folga (o que tem limitado os fins-de-semana de lazer com a família e amigos).
Consta ainda que no setor de açúcar e álcool no Brasil os trabalhos são bastante precários e altamente explorador de mão-de-obra barata, basta ver os inúmeros casos de trabalho escravo pelo país afora. Há de se questionar, por exemplo, este regime de trabalho de cinco dias por um de folga, pois tem limitado para um dia na semana o descanso do trabalhador.
Direitos trabalhistas vêm sendo cada vez mais suprimidos pelos milionários usineiros. Na ânsia por lucro a Virálcool, por exemplo, comete o absurdo de negar a seus funcionários as refeições, obrigando a quem trabalha nesta empresa a levar de casa o almoço.
Assim, estes mesmos trabalhadores que vêm servindo a estas indústrias altamente lucrativas, serão simplesmente demitidos e terão ameaçada a sobrevivência de suas famílias por conta de um planejamento produtivo que não visa em nada o bem-estar do trabalhador, mas que na verdade só está preocupado com o lucro do patrão.


O Estado, um refém dos usineiros
O setor de açúcar e álcool é um dos que mais tem sido financiado pelo governo brasileiro. Segundo a Agencia Brasil "O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai emprestar até R$ 35 bilhões a empresas do setor sucroalcooleiro".

Apesar de requererem sempre que precisam ao dinheiro público, o compromisso social dos usineiros para com a sociedade praticamente não existe. Além de não garantirem de forma segura a sobrevivência de seus trabalhadores os empresários deste setor tem deixado na mão o consumidor brasileiro que tem enfrentado cada vez mais as altas de preços do álcool e do açúcar. Isto acontece, em grande medida, devido a preferência que os usineiros tem em exportar sua produção, como no caso da Virálcool que admite exportar via porto de Santos a maior parte de sua produção.

Logo, a sede por lucros cada vez maiores leva estes capitalistas a esnobarem a venda destes produtos por meio de moeda brasileira e priorizam as negociações em dólar, euro, etc; causando escasses de álcool e açúcar no Brasil o que contribui com a subida da inflação.



Qual seria a tarefa?

Logicamente que, para de fato por fim a estes problemas seria necessário suprimir a propriedade privada destas agroindústrias, até porque os patrões já mostraram não ter capacidade de garantir a sobrevivência de seus trabalhadores e nem garantir o fornecimento de seus produtos no mercado brasileiro.

Mas, diante os desafios que no momento uma ação desta impõe a primeira medida dos trabalhadores da Virálcool e das demais destilarias da região é a de se organizarem sindicalmente de forma a exigir dos patrões o cumprimento dos direitos trabalhistas e um planejamento produtivo que não coloque em risco a sobrevivência destes trabalhadores e de suas famílias.